O estímulo dos 5 sentidos através da arquitetura

5 sentidos

Você lembra de algum lugar que tenha ido e tenha percebido uma sensação de paz, um cheiro bom, um certo conforto inexplicável? A notícia boa é que não é inexplicável…

Arquitetos e profissionais de diversas áreas trabalham incessantemente para aprimorar a interação ser do humano com o ambiente físico que está inserido. É a partir do estímulo de diversos sentidos que se iniciam estes estudos, e se chama sinestesia.

O conceito de sinestesia na arquitetura é mostrar como ambientes bem estudados e projetados são capazes de transformar a experiência e vivência do cliente de forma drástica, e merece muita visibilidade devido ao poder do resultado que exerce.

Mas o que é sinestesia?

É uma condição do nosso cérebro, um fenômeno neurológico que consiste na produção de duas sensações de natureza diferente por um único estímulo.

Por exemplo: ao escutar um certo som, seu cérebro associa automaticamente aquele barulho com um cheiro específico. Dessa forma, além da audição, o olfato também está sendo estimulado. Outras pessoas, ainda, definem o sabor de algum alimento como algo visual, quase físico.

Muita gente, ao ler sobre a sinestesia, logo pensa: Sempre que sinto o cheirinho do café, lembro da sensação boa que tinha quando era criança na casa da minha avó”, mas não é bem assim que funciona.

Nosso cérebro tem a capacidade de associar sensações diferentes a partir da recuperação de memórias, como por exemplo a afetiva. Ao lembrar da praia que você passava suas férias quando criança, é comum que o cérebro busque por memórias relacionadas ao local como cheiros e sensações.

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A sinestesia funciona de forma diferente. Todas as sensações, estímulos, imagens e cheiros são criados a partir do próprio cérebro, existindo sem recorrer às lembranças. E ela vai além: o cérebro de uma pessoa sinestésica consegue reproduzir tudo isso vividamente. E desta forma a sinestesia na arquitetura promete reproduzir essas sensações incríveis na vida de qualquer pessoa.

Com o passar dos anos, a arquitetura deixou de se preocupar apenas com a estética, a interação do usuário com o ambiente se tornou prioridade e, para isso, foi preciso pensar em alguns elementos que não eram calculados no passado. Foi quando a sinestesia entrou na arquitetura desenvolvendo sensações e emoções positivas relacionadas ao espaço.

Exemplos de como trabalhar os 5 sentidos:

Visão: com uma estética agradável aos olhos. Que se subdivide em:

Semelhança: Objetos que têm características semelhantes tendem a se agrupar visualmente, mesmo que não estejam próximos entre si. As características podem ser de forma, textura, cor etc.

Proximidade: O cérebro humano tem uma tendência de agrupar as formas que estão próximas entre si.

Continuidade: quando os elementos de uma imagem estão seguindo um padrão, ou seja, sendo harmônicos do início ao fim, ele tem uma boa continuidade.

Pregnância: Ela é considerada como a facilidade que uma imagem tem de ser compreendida pelo cérebro. Quanto maior a pregnância da imagem, mais facilmente ela será percebida por nós.

Fechamento: Essa lei é definida pela capacidade do nosso cérebro de assimilar formas, espaços e contornos que não existem.

Unificação: A unificação é definida como a harmonia existente nas imagens, formas e objetos. Quanto melhor ela for, mais o nosso cérebro vai assimilar aquela forma.

Unidade: Um único elemento pode ser formado por uma só parte, ou por várias delas que, em conjunto, serão capazes de construir esse item.

Segregação: A segregação é a lei que fala sobre a capacidade que o cérebro tem de perceber, identificar e separar informações dentro de uma única composição.

Sabe aquela expressão “nossa, o ambiente está muito carregado”. É sobre isso.

psicologia ambiental 02

Informação demais não dá certo, então, saiba posicionar estrategicamente cada um dos elementos do seu projeto, para que todos os ambientes estejam em equilíbrio e nenhum deles chame a atenção de uma maneira ruim.

Tato: O toque é essencial para promover uma sensação de conforto. Pensando nisso, a escolha dos materiais é essencial para que seu cliente se sinta “nas nuvens”, e é através de texturas muito salientes aos olhos que este item consegue ter um bom resultado. Como por exemplo tecidos, texturas das paredes, dos pisos, superfícies etc.

Audição: Uma aplicação que vem sendo feita cada vez mais em projetos é a do som em locais estratégicos. Sons têm a capacidade de relaxar muito uma pessoa. Além disso, eles também podem carregar consigo memórias afetivas que remetem a momentos inesquecíveis.

Olfato: O cheiro de um ambiente é uma das primeiras características percebidas por alguém, sendo um dos elementos responsáveis por mudar por completo a percepção que você tem daquele lugar.

Paladar: O paladar e o olfato caminham juntos, então, crie um ambiente que consiga unir os dois sentidos de forma harmônica.

Fernanda Viale

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